O governo federal lançou nesta terça-feira (29/04), a Conferência
Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais
(GLBT). O evento, primeiro do mundo a ser convocado por um governo, é
resultado de uma demanda da sociedade civil organizada e acontecerá de
5 a 8 de junho, em Brasília (DF). O tema da Conferência é ‘Direitos
humanos e políticas públicas: o caminho para garantir a cidadania de
Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais’.
No encontro, deverão ser elaboradas políticas públicas para o setor e
um Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de GLBT.
Também deverá ser avaliado o Brasil sem Homofobia – programa de
combate à violência e à discriminação contra a população GLBT e de
promoção da cidadania homossexual, lançado pelo governo federal em
2004. A programação da 1ª Conferência Nacional GLBT está disponível em
www.conferencianacionalglbt.com.br.
A realização da Conferência coincide com a comemoração dos 60 anos da
Declaração Universal dos Direitos Humanos e reafirma o compromisso do
governo federal com a questão dos direitos humanos de GLBT. Marta
Suplicy, ministra do Turismo, comemorou a iniciativa. “Finalmente
podemos realizar, depois de tantos anos, essa Conferência. É um passo
gigantesco para o Brasil”.
Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, a Conferência GLBT pauta o
respeito pela condição humana. “A agenda de direitos humanos que não
contempla essa questão é incompleta”. Também estiveram presentes na
cerimônia de lançamento do evento o ministro da Secretaria Especial de
Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vannuchi; a senadora Fátima Cleide, da
Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT; o ministro da Secretaria de
Políticas de Igualdade Racial, Edson Santos; e os diretores do
Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Mariângela
Simão e Eduardo Barbosa.
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Estudo do ISCTE
Dor da mulher é mais ignorada e subvalorizada que a do homem
A dor das mulheres é subvalorizada em relação à dos homens, sendo considerada menos genuína e grave pelos profissionais de saúde, principalmente pelos profissionais do sexo masculino, segundo um estudo do ISCTE divulgado hoje.
O estudo, realizado a 205 estudantes de enfermagem e concluído no final do ano passado, mostra que a dor das pacientes do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica considerada menos grave e urgente que a do homem.
“O projecto partiu de constatações de outros estudos que mostravam que as mulheres relatavam sentir mais dores que os homens e que a sua dor era mais vezes sub-diagnosticada que a dos homens”, explicou Sónia Bernardes, investigadora no Centro de Investigação e Intervenção Social no ISCTE e autora do estudo “Os enviesamentos de sexo nos julgamentos sobre dor lombálgica”.
No entanto, só com este estudo se percebeu quais os factores que podem influenciar a apreciação da dor dos pacientes, nomeadamente em que medida o tipo de dor, a forma como o doente apresenta a sua dor e o sexo de quem julga influenciam a ocorrência de enviesamentos de sexo nos julgamentos. A investigadora chegou à conclusão de que “a dor da paciente do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica como menos grave e urgente que a do homem” em contextos de dor aguda e de curta duração ou na ausência de manifestações explícitas de ansiedade.
Contenção das mulheres dificulta diagnóstico
“Espera-se que as mulheres sejam mais expressivas e quando não apresentam sintomas de ansiedade e agem de forma controlada sem recorrer muito aos profissionais de saúde acabam por ser subvalorizadas”, explicou Sónia Bernardes. O estudo concluiu ainda que os estudantes de enfermagem do sexo masculino fazem mais enviesamentos de sexo nos julgamentos sobre a genuinidade da dor do que as estudantes do sexo feminino.
Perante estas conclusões, Sónia Bernardes sublinha que “as evidências mostram que embora as mulheres reportem sentir mais dores que os homens ao longo das suas vidas, as suas dores são frequentemente desvalorizadas, sub-diagnosticadas ou sub-tratadas comparativamente com as do sexo masculino”.
Este estudo é um dos últimos da tese de doutoramento que começou há cerca de quatro anos e que deverá ser entregue ainda este verão. O estudo está enquadrado num projecto de investigação mais amplo financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.n
Lusa