Elas nas notícias

Abril 30, 2008

Não te cales!

Arquivado em: Reflexões — carlacerqueira @ 11:39 pm
Tags: ,

Sofia tinha 29 anos, era advogada e tinha uma filha. Casada há quatro anos vivia uma estranha relação de amor. Sentia-se amada até ao ponto em que sentia as bofetadas e os pontapés atingirem-lhe o corpo franzino. Foi assim durante os últimos três anos e meio. O silêncio percorria-lhe a mente, sempre inundada por um sofrimento profundo.

Deu entrada no hospital com hematomas graves. Não foi a primeira vez. Acabou por sucumbir ao sofrimento, mas deixou uma filha de três anos e muitos sonhos encerrados no palácio assombrado. Levou com ela a esperança de que o amanhã seria melhor.

A violência doméstica é um flagelo universal que atinge milhares de pessoas, muitas delas de forma silenciosa e dissimulada. As maiores vítimas continuam a ser as mulheres, mas não se pense que os homens têm sempre o papel de agressor. Há estatísticas que demonstram o aumento da violência contra eles, mas também há estudos que remetem alguns casos para as relações de homossexualidade, o que leva a muitos questionamentos de ordem sociológica…

A realidade aponta-nos para um problema que atinge os dois sexos e que não conhece estatuto social, económico, religioso ou cultural, como erradamente se pensa. Além disso, falar de violência doméstica implica abordar as agressões físicas, verbais e psicológicas…e muitas destas envolvem também as crianças.

Muitas vítimas silenciam as agressões durante muito tempo…algumas delas até à pior das consequências. Os especialistas referem que a falta de auto-estima e a dependência emocional ou material têm levado muitas mulheres a esconder a situação. Por outro lado, os homens não se queixam maioritariamente por questões de ordem social, onde eles ainda são vistos como ‘os machos’.

Muito tem sido feito neste campo, onde a violência doméstica passou a ser considerada crime público. As estatísticas mostram também que a opinião pública tem consciência da gravidade do problema, pois o número de denúncias não pára de aumentar. Em Portugal, só em 2007 houve mais de 27 mil queixas. E é preciso reflectir sobre esta problemática, pois os dados parecem alarmantes, mas estão longe de ser um espelho fiel da realidade.

Porque ninguém merece os maus-tratos, porque a violência doméstica é uma violação dos direitos humanos…porque as mulheres (que são as maiores vítimas, sem esquecer as crianças) não merecem que lhes roubem a vida…porque há ainda um longo caminho a percorrer…se conheces algum caso…ou se és vítima…não tenhas medo…NÃO TE CALES!

 

(Artigo publicado por Carla Cerqueira no jornal Terras do Homem)

Dar voz à violência doméstica

Arquivado em: Reflexões — carlacerqueira @ 11:31 pm
Tags: ,

Luzes, Câmara, divulgACÇÃO!

Arquivado em: Projectos — carlacerqueira @ 11:23 pm
Tags: ,

A UMAR e a Comissão Promotora do Congresso Feminista 2008 organiza, durante o mês de Maio de 2008, um concurso de vídeos sob o tema “O Que é o Feminismo?”, para jovens entre os 14 e os 25 anos.
 
O vídeo vencedor será exibido num Festival de Cinema Internacional.

Ver o regulamento aqui!

Abril 22, 2008

Vale a pena pensar nisto…

Arquivado em: Reflexões — carlacerqueira @ 5:50 pm
Tags: , ,

Nem todos gostam de “comer relva”

Dia 16 de Abril de 2008.
Campus de Gualtar da
Universidade do Minho.
Junto ao Complexo Pedagógico II e ao simbólico Prometeu, uma turma de caloiros obedecia às ordens de alguns “doutores”. No dia em que os estudantes se manifestavam contra a forma como o Processo de Bolonha foi conduzido e contra o valor das propinas, alunos que já entraram no ensino superior há sete meses mantinham-se deitados de barriga para baixo, com a cara rente à relva, em mais uma sessão de praxe. Dentro do edifício, o núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) promovia mais uma conferência integrada na Feira Pedagógica, levada a cabo pela Associação Académica da Universidade do Minho. Estas imagens, que podiam ser observadas em simultâneo, mostram que, enquanto alguns se entretêm à volta da relva, há jovens com ideais e com coragem para lutar por eles, mesmo que sejam polémicos, como é seguramente falar de feminismo numa sociedade machista. Basta ver que um artigo sobre o feminismo publicado na versão online do ComUM, dirigido sobretudo ao público universitário, provocou comentários de nível muito baixo, feitos sob a capa do anonimato. Independentemente de se concordar ou não com as propostas que são apresentadas, e que são discutíveis, este esforço de promoção do debate é louvável, num contexto que não favorece a participação cívica.

Houve tempos em que se falou de uma geração rasca, que supostamente foi substituída pela geração à rasca. Contra todos os epítetos, há jovens que estão dispostos a tentar deixar a sua marca nos sítios por onde passam, mesmo que o que propõem seja incómodo e não agrade a muita gente. A blogosfera e a Internet são instrumentos que usam para a participação cívica, mas a sua actividade não se fica pelo mundo virtual. Há jovens – em termos de idade ou de espírito – que estão em múltiplas frentes a combater a bovinidade que continua a imperar vezes sem conta. Pelo nosso futuro colectivo, esperemos que haja cada vez menos quem goste de “comer” relva.

Luísa Teresa Ribeiro, Diário do Minho

Abril 20, 2008

UMAR com novo núcleo em Braga

Arquivado em: Blogosfera — carlacerqueira @ 5:32 pm
Tags: , ,

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) conta com um novo núcleo na cidade de Braga. Quatro jovens estudantes da Universidade do Minho são as dinamizadoras do projecto que pretende mostrar que o(s) feminismo(s) estão espalhados por todo o lado. Criar iniciativas para envolver a comunidade bracarense para a causa da igualdade de género  é o grande objectivo destas activistas.

Anabela Santos, Carla Cerqueira, Danielle Capella e Sylvie Oliveira são os rostos bracarenses deste novo projecto. O núcleo da UMAR de Braga reúne-se às quartas-feiras, às 21h30, no estaleiro cultural da Velha-a-Branca. Apela-se a todos os interessados ou simplesmente curiosos que passem por lá!

Entretanto, podem consultar os projectos desenvolvidos e as iniciativas em agenda na blogosfera. Promete-se desmistificar o feminismo e mostrar que é uma causa que deve ser abraçada por mulheres e homens…afinal, trata-se apenas da igualdade formal e informal!

 

Delinquência juvenil feminina é “fenómeno negligenciado”

Arquivado em: Debates — carlacerqueira @ 2:40 pm
Tags: ,

 “Delinquência juvenil feminina: percursos invisíveis” é o tema de doutoramento da ex-aluna da Universidade do Minho (UM), Vera Duarte, e foi o título do seminário que a actual assistente na Universidade Católica presidiu na semana passada na UM. Vera Duarte falou sobre a invisibilidade social e científica do fenómeno da delinquência juvenil feminina e as especificidades dessa forma de criminalidade. 

De acordo com Vera Duarte, a opinião pública não se tem interessado pelo tema da violência juvenil feminina, considerando que este é um “fenómeno negligenciado” e pouco estudado em Portugal. A ex-aluna acrescentou ainda que muitas vezes este tema é apenas “nota de rodapé”.

“Há quase um processo de democratização de delinquência”, disse Vera Duarte que considera que “a delinquência não deixa de ser transversal à questão das classes, idades e sexo”. Acrescentou, ainda, que “os inquéritos mostram” que os rapazes estão em maior percentagem, no que diz respeito a delitos, “ao contrário das raparigas”.

A assistente da Universidade Católica explicou que “as raparigas têm uma instabilidade relacional muito grande”, pois as dificuldades de adaptação delas são diferentes das dos rapazes. A oradora sublinhou ainda que “os técnicos, monitores ou até os professores têm consciência que têm dificuldades em perceber as necessidades” femininas.

A ex-aluna da academia minhota acredita que é necessário olhar para as especificidades dos géneros para perceber os comportamentos masculinos e femininos.

(Fonte: ComUM Online)

This is what a feminist looks like

Arquivado em: Reflexões — carlacerqueira @ 1:27 pm
Tags: ,

As/Os feministas são mulheres e homens perfeitamente normais…Em Braga, durante a última semana, tentámos mostrar a importância do movimento feminista…mas parece que ainda temos muito que sensibilizar. Os média têm contribuído, em muitos casos, para foratelecer a ideia que as feministas são mulheres que não suportam os homens, que têm um aspecto descuidado e que devem pouco à feminilidade. Não é verdade…e os homens também podem ser feministas…o ideal é que todos fossemos e não tivessemos vergonha de o admitir…afinal, parece pouco racional que se aceitem desigualdades entre homens e mulheres:-) Vejam o vídeo…as e os feministas são assim…uma diversidade de mulheres e homens que lutam por uma maior justiça social:-)

Abril 19, 2008

UMAR Braga

Arquivado em: Projectos — carlacerqueira @ 10:18 pm
Tags: , ,

Vídeo da participação da UMAR Braga na Feira Pedagógica da Universidade do Minho (autoria: Anabela Santos)

UMAR desmistifica o feminismo em Braga

Arquivado em: Debates — carlacerqueira @ 7:14 pm
Tags: , ,

 A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) participou na Feira Pedagógica da Universidade do Minho (UM), que decorreu de 14 a 18 de Abril, na Universidade do Minho, em Braga. A adesão da comunidade académica às iniciativas realizadas pela associação feminista foi muito positiva. A passagem de um grande número de pessoas pelo stand com materiais atinentes ao tema revelou o interesse pela questão da igualdade de género e pela importância de desmistificar o conceito do feminismo na actualidade. Os debates, que decorreram em paralelo, tiveram uma grande participação de participantes.

Temos a consciência que conseguimos sensibilizar a opinião pública para a importância do(s) feminismo(s) na actualidade. Procurámos proporcionar o debate e reflexão sobre várias temáticas, de forma a facilitar o diálogo e o esclarecimento da população.

 O primeiro dia de debates foi dedicado à violência doméstica. Marta Gonçalves da APAV e Ana Marciano da UMAR realçaram o facto de o sistema judicial não dar a resposta que a violência doméstica exige. Ambas frisaram que ‘o tempo do tribunais não é o tempo das pessoas’, uma vez que o sistema ‘nem sempre dá a resposta’ de forma tão urgente como seria necessário.

A preocupação central destas associações passa por colocar as mulheres em segurança e continuar o processo de sensibilização da opinião pública sobre a problemática. É preciso que elas não se remetam ao silêncio, mas que sintam que há a possibilidade de ‘reviver’, de uma integração na sociedade.

 O segundo dia foi dedicado à prostituição, um tema que muitas vezes ainda continua a ser visto como um tabu. O docente e investigador do departamento de Sociologia da UM, Manuel Carlos Silva, apresentou os aspectos centrais de um trabalho de investigação colectivo sobre o fenómeno prostitucional, que acabou de ser lançado em livro. Inês Fontinha da Associação ‘O Ninho’ centrou-se no trabalho de quarenta anos com mulheres prostitutas. Durante este tempo contactou com cerca de 8 mil mulheres que viveram e vivem a situação.

Os dois intervenientes chegaram aos modelos jurídico-políticos, onde apresentaram posicionamentos diferentes. Manuel Carlos Silva mostrou-se a favor do modelo regulacionista. No seu entender há que limitar os danos em termos de saúde pública e de fuga ao fisco, uma vez que não se pode erradicar a prostituição. Seria uma actividade legal como outra qualquer. Inês Fontinha disse que actualmente vigora o sistema abolocionista, onde a prostituta e o cliente não são punidos, sendo apenas quem explora a prostituição. A sua associação luta pela supressão da prostituição e no seu entender o Estado não pode conceder o direito legítimo do homem comprar a mulher. A relação entre a mulher e o cliente é meramente mercantil.

Os dois investigadores realçaram que as prostitutas são boas mães e que é isso que muitas vezes as leva para a prostituição, pois querem dar melhores condições de vida aos filhos.  

 Depois de uma performance subordinada ao tema ‘arte e feminismos’, realizada por algumas representantes da UM, Ana Gabriela Macedo, investigadora e docente do Centro de Estudos Humanísticos da UM, reflectiu sobre a temática das mulheres na arte. Falou da luta delas no meio artístico pela visibilidade. Esclareceu a audiência sobre a arte no feminino, centrando-se no pensamento de algumas autoras feministas. Falou das práticas de des-identificação e de empoderamento, da vontade de muitas artistas de~romper com os estereótipos. A análise foi feita recorrendo sempre a exemplos do mundo artístico (exemplo: Joana Vasconcelos ou Barbara Kruger).

 A tarde de quarta-feira foi dedicada aos feminismos e média. Zara Pinto Coelho do departamento de Ciências da Comunicação da UM abordou a forma como os média representam os movimentos feministas enquanto movimentos políticos/colectivos. Frisou que muitas vezes o discurso mediático sobre estes movimentos pode ser um ‘pau de dois bicos’. Acentuou que a presença de mais mulheres na produção mediática não significa alterações e sugeriu a introdução de uma perspectiva feminista nos currículos dos cursos que formam profissionais na área dos média.

Sivana Mota Ribeiro, também docente e investigadora no Departamento de Ciências da Comunicação da UM, abordou a representação das mulheres na publicidade, onde se define a beleza como caminho para a felicidade. Dá-se uma visão muito redutora das mulheres nas revistas femininas, onde aparecem como uma superfície estética. Seguiu-se a intervenção de Manuel Pinto, que realçou a importância de se falar no plural (mulheres e não mulher, uma vez que existe uma grande diversidade). Centrou-se nas rotinas jornalísticas do framing e também da agenda (aquilo que é seleccionado e aquilo que é silenciado). Terminou a sua intervenção com a relevância da cidadania, ou seja, de uma educação para os média, de uma formação dos profissionais.

A reflexão terminou com a intervenção de Anabela Santos, da UMAR, uma ciberfeminista que mostrou os benefícios dos blogues para o movimento feminista.

 Os movimentos LGBT também estiveram em debate. Ana Brandão, do departamento de Sociologia da UM, falou da igualdade de direitos, que se coloca hoje em termos de direitos da família. Mostrou que a realidade portuguesa em termos legais não está muito distante do panorama internacional.

Luisa Reis representou o GRIT, que é o único colectivo português ligado à transexualidade. Explicou a diferença entre identidade de género e orientação sexual, uma vez que a transexualidade não encerra em si uma orientação sexual. O género é uma convenção, mas também o sexo é arbitrário. Explicou o facto de a lei só incluir homens e mulheres, mas que não existem apenas dois sexos, mas uma grande diversidade porque todos somos diferentes. Explicou o processo de transição (física e social, a assunção de novos papéis). Uma pessoa só pode ser tratada como homem ou mulher se visivelmente o parecer. As dificuldades no acesso ao mercado laboral também foram abordadas, bem como as dificuldades legais, ou seja, a morosidade do processo para mudar de nome, por exemplo. Há uma discriminação formal e informal que continua a existir de forma gritante.

Frederico Lemos do GRIP mostrou que ainda existem 75 países que consideram a homossexualidade como um crime. A constituição portuguesa entra em conflito com o código civil no que se refere aos direitos de orientação sexual. Eles reivindicam direitos de adopção e de casamento em Portugal.  

 O último dia foi dedicado ao aborto e saúde reprodutiva. a formadora e representante da UMAR Helena Gonçalves falou da importância da educação sexual e reprodutiva nas escolas. Cândida Carlos, médica de saúde familiar, não esqueceu de referir a importância da sensibilização em todas as idades. Explicou que todas as pessoas têm direito a consultas de planeamento familiar gratuitas, bem como a contraceptivos.

As duas intervenientes realçaram que o aborto deve ser o último recurso, ou seja, a grande aposta passa pela prevenção e sensibilização, começando sempre pelos mais jovens. Além disso, concordam com a importância de uma maior articulação entre as escolas e os centros de saúde.

O núcleo da UMAR de Braga quer mostrar à comunidade que o feminismo é um movimento que está bem vivo…Há muito para fazer…as mentalidades não se conseguem mudar  dia para o outro, por isso Braga vai assistir a muitas iniciativas desta associação nos próximos tempos. :-)

Abril 16, 2008

Prostituição: nova forma de proibição

Arquivado em: Reflexões — carlacerqueira @ 12:43 am
Tags: , ,

Hoje assisti a um debate sobre a prostituição na Universidade do Minho. Inês Fontinha da Associação ‘O Ninho’ falou da sua experiência com mulheres prostitutas, argumentando a favor do modelo abolocionista. Manuel Carlos Silva, investigador do ICS, na Universidade do Minho, revelou o seu recente estudo sobre a prostituição e mostrou-se a favor da regulamentação.

Muitas questões foram colocadas em debate, não esquecendo os modelos jurídico-políticos. Trata-se de uma realidade complexa e muitas vezes tratada como um tabu. Depois disto…recebi agora o alerta de uma notícia sobre o tema que me deixou boquiaberta. Parece que em alguns países utilizam-se estratégias bastante diferentes para proibir a prostituição…Aqui vai…

Indonésia

Cadeado nas calças para prevenir prostituição

As massagistas na província de Java, na Indonésia, são agora obrigadas a andar com um cadeado nas calças. A ideia é impedir a prostituição.

As autoridades locais da província de Java, na Indonésia, criaram um cinto de castidade dos tempos modernos para tentar impedir a prostituição nas casas de massagens.

São precisamente as massagistas que estão agora obrigadas a andar com um cadeado nas calças, uma vez que a situação da massagem descamba frequetemente para a prostituição quando as funcionárias das casas de relaxamento estão com os clientes. A medida ainda só não foi tornada lei porque há políticos que a consideram um insulto para as mulheres.

(Fonte: Expresso)

Página Seguinte »

Blog em WordPress.com.