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Março 6, 2008

Dar voz às mulheres

Arquivado em: Sem-categoria — carlacerqueira @ 10:18 am
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Não há um consenso quanto ao marco histórico que iniciou as lutas femininas pela igualdade e que esteve na origem do Dia Internacional da Mulher. No entanto, as posições predominantes apontam para a luta das operárias por melhores condições de vida. Sabe-se que o Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin, em 1910, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Existe, portanto, uma omissão da verdade histórica que está na génese da efeméride, mas a partir dessa altura começou a celebrar-se o dia em vários países. A data de 8 de Março tornou-se preponderante e em 1975 a Organização das Nações Unidas instituiu a efeméride, a qual se começou a celebrar em Portugal desde essa altura, o que se justifica, sobretudo, pela conquista recente da democracia.

Contudo, a história do feminismo é complexa e muito antiga, mas foi sobretudo a partir dos anos 60 do século passado que a questão da representação das mulheres na esfera mediática começou a estar no centro das atenções das feministas, que se aperceberam do poder que eles tinham como agentes de produção das representações e práticas que definem o género. Aliás, como refere a filósofa francesa Simone de Beauvoir, as características femininas são adquiridas mediante um processo individual e social, no qual os média desempenham um papel de extrema relevância.

Vários estudos têm chegado à conclusão que os meios de comunicação veiculam mensagens estereotipadas e pouco representativas das mulheres na sociedade. Numa altura em que se fala cada vez mais de uma “feminização” do sector jornalístico, onde não há diferenciação entre homens e mulheres em termos de tratamento da agenda noticiosa, elas continuam a não alcançar os lugares de chefia na informação. Portanto, as mulheres enquanto trabalhadoras do sector mediático limitam-se a reproduzir as representações existentes, que traduzem uma visão masculina da realidade.

Muito próximo das comemorações do Dia Internacional da Mulher queremos alertar para a necessidade de representar de forma igualitária as mulheres e os homens. A realidade é que a efeméride continua a fazer todo o sentido porque as mulheres estão em maioria numérica em Portugal e no mundo inteiro, mas não deixaram de ser uma minoria social. Vítimas de violência doméstica, alvos da mutilação genital, vivem situações de pobreza extrema, num mundo onde a exploração sexual aumenta de dia para dia. Cabe aos meios de comunicação o papel de informar correctamente a opinião pública e conseguir mudar mentalidades.

Pensemos também nos sucessos alcançados por elas. De mulheres/mães/esposas/donas de casa passaram também para o mercado de trabalho, onde desempenham as mais variadas profissões. Lutam por conciliar todas as esferas com o maior profissionalismo possível. Muitas delas são autênticas “super-mulheres”, que apenas querem ser reconhecidas pelo seu mérito. Porém, a sociedade ainda as relega para a esfera privada, continuando a perspectivar uma esfera pública legitimamente masculina.

A realidade é que elas conseguiram uma verdadeira emancipação, mas a igualdade é, em muitos casos, apenas formal. Cabe-nos a todos nós, mulheres e homens, cidadãs e cidadãos, uma voz de activismo contra a discriminação e a favor da igualdade de género. Aos meios de comunicação cabe-lhe também a tarefa de não silenciar as vozes femininas, pois só assim podem transmitir uma visão mais rica e completa do Mundo.

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